CI analisa projeto que permite construção e operação de ferrovias privadas.

A Comissão de Infraestrutura (CI) analisa um projeto que permite a construção e operação de ferrovias pela iniciativa privada.

Conhecido como o novo Marco Legal das Ferrovias, o texto estabelece as regras para o modelo privado, com as competências regulatórias da União e instruções para integração vertical (quando um mesmo administrador se encarrega da operação dos trens e da manutenção da ferrovia), segregação geográfica (vedação da exclusividade de serviços ferroviários numa mesma região para um só administrador) e reparcelamento (substituição organizada de imóveis antigos por novos em uma determinada área).

O PLS também garante a participação estatal em segmentos de importância social, seja através da exploração direta, mediante concessões, ou atraindo investimentos privados em regime de competição.

A proposição estabelece ainda que as autorizações não terão vigência predefinida, sendo extintas somente por cassação, caducidade, decaimento, renúncia, anulação ou falência. Essa possibilidade de negócio será feita em regime de direito privado e realizada mediante autorização, precedida de chamada e anúncio públicos.

O texto já foi aprovado na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) e ainda será apreciado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), em decisão terminativa. Na CI, a proposição é relatada pelo Senador Jean Paul Prates (PT-RN), que ainda não apresentou seu relatório.

Na justificativa, o autor do Projeto, Senador José Serra, explica que sua proposta não interfere nas ferrovias de titularidade pública outorgadas mediante concessão, tendo em vista que o texto cria uma nova ordem de ferrovias de titularidade privada e utilidade pública, mediante contratos de autorização de atividade econômica.

O Senador destaca, ainda, que o projeto incorpora à legislação mecanismos que permitirão maior integração e parcerias entre o poder público municipal e as administrações ferroviárias, a fim de mitigar e suprimir tanto os conflitos causados pelos cruzamentos em nível, quanto a carência de fontes de financiamento.

Ademais,na justificativa do projeto, José Serra ainda ressalta que a história ferroviária do Brasil é marcada por diversas oportunidades perdidas. Embora a economia brasileira figure em 7º lugar no ranking global, a infraestrutura ferroviária, segundo o Fórum Econômico Mundial, ocupa a modesta 88ª posição entre os 137 (cento e trinta e sete) países analisados.

Segundo dados do governo federal, as ferrovias brasileiras transportam somente 15% (quinze por cento) das cargas em termos de tonelagem por quilômetro útil, a mesma proporção de meados da década de 1990. Em extensão de trilhos ativos, o Brasil retrocedeu aos níveis de 1911, apesar de todos os avanços em produtividade e segurança possibilitados pelas concessões ferroviárias, afirma Serra.

No que diz respeito ao mercado urbano de passageiros, observa o Senador, a participação modal ferroviária ainda é bastante reduzida. Desse modo, as grandes cidades brasileiras sofrem com a insuficiência dos sistemas ferroviários e metroviários. A maioria das metrópoles estão acometidas de engarrafamentos que poderiam ser solvidos ou reduzidos pela extensão da rede de trilhos.

No mercado interurbano, por sua vez, o Brasil é caracterizado por profunda dependência do modo rodoviário e, consequentemente, de suas externalidades negativas, tanto sociais como ambientais.

De acordo com José Serra, parte significativa desse atraso está na grande dependência de investimentos públicos para desenvolvimento do setor, mesmo na hipótese de outorga por concessão. O fato é que o Brasil dispõe de 8,5 mil quilômetros de ferrovias abandonadas, 51,5 mil quilômetros de ferrovias planejadas e pouco mais de 10 mil quilômetros de ferrovias ativas, em plena operação.

O Senador explica que o projeto busca introduzir no arcabouço normativo brasileiro as melhores práticas disponíveis no cenário internacional, propondo as adaptações necessárias, a fim de se obter maior segurança jurídica aos investidores. Afinal, o projeto abre novas possibilidades, sem prejudicar os atuais concessionários.

Nos termos fixados, ressalta Serra, o particular poderá ser autorizado pelo poder público a construir e operar sua própria ferrovia, sem retirar a primazia do Estado para investir onde for oportuno e conveniente, seja diretamente, seja mediante concessões.

Fonte: Agência Senado